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Conversa com a Comunidade

Arte no Dique abre escola de cinema gratuita na Zona Noroeste

O Instituto Arte no Dique inaugura nesta quinta (8), às 19h, a Escola Popular de Cinema Glauber Rocha, com curso gratuito de dez meses e Pedro Paulo Rocha.

O Instituto Arte no Dique inaugura nesta quinta-feira, 8 de outubro, às 19h, a Escola Popular de Cinema Glauber Rocha, na sede da instituição, no Dique da Vila Gilda, Zona Noroeste de Santos. A escola oferece um curso livre e gratuito de audiovisual, com dez meses de duração, para moradores das periferias da Baixada Santista. A cerimônia tem a participação de Pedro Paulo Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha.

Dois jovens ajustam uma câmera profissional em um tripé, em uma sala de paredes de tijolo à vista

A proposta é que os alunos aprendam todas as etapas de um filme, do roteiro à montagem, a partir de histórias da própria comunidade. Ao fim de cada ano, a turma deve produzir dois filmes.

Como funciona o curso de audiovisual gratuito

O curso é aberto a interessados em audiovisual das periferias da Baixada Santista. A grade tem disciplinas de Teoria e História do Cinema, Roteiro, Direção, Direção de Fotografia, Produção, Som, Montagem, Direção de Arte e Comunicação, e os professores são profissionais que trabalham no mercado de Santos e de São Paulo.

“A Escola é destinada a todos os interessados em audiovisual da periferia da Baixada Santista. O curso tem dez meses de duração e a nossa ideia é produzir dois filmes na conclusão de cada ano”, explica a coordenadora Juliana Rodrigues.

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Professora aponta para a tela de um computador com um roteiro aberto, diante de alunos sorrindo sentados em círculo

Segundo ela, o contato com profissionais do setor também mostra aos alunos como o mercado funciona: áreas de atuação, caminhos de carreira e até os valores cobrados no audiovisual. “É também uma forma de incentivo para quem se interessa em mudar de área ou enxerga no audiovisual uma possibilidade profissional”, afirma.

O aluno passa por todas as funções de uma produção, mas quem tiver mais afinidade com roteiro, fotografia, som ou direção pode se aprofundar na área, sem deixar de conhecer as outras.

Equipamento profissional e filmes feitos pelos alunos

Com recursos de uma emenda parlamentar, o Arte no Dique pagou o curso e comprou equipamentos profissionais: câmeras, iluminação, captação de som e computadores para montagem e edição.

“A ideia é que tudo seja feito pelos alunos, com orientação dos professores e também de grandes nomes do mercado que serão convidados para palestrar e orientar os estudantes”, diz Juliana.

As histórias filmadas partem da realidade dos estudantes. Os professores orientam a construção do roteiro e dos personagens, e a ideia é que as produções tragam memórias e personagens da Zona Noroeste e de outras periferias da região. “Sendo Santos a cidade do cinema, queremos colocar a Zona Noroeste como protagonista também da formação de novos talentos desse mercado”, afirma a coordenadora.

Os filmes devem ser inscritos em mostras e festivais no Brasil e no exterior. O instituto também negocia uma parceria na França para ampliar o intercâmbio dos alunos formados pela escola.

Por que Glauber Rocha

Glauber Rocha nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia, em 1939, e morreu em 1981. Foi o principal nome do Cinema Novo, movimento dos anos 1960 que levou para a tela o Brasil do sertão, da pobreza e da política, com filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967). Ficou conhecido pela ideia de fazer cinema com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Segundo o instituto, o nome foi escolhido para estimular um cinema que olhe para o Brasil, seus territórios e seus personagens. Pedro Paulo Rocha, que participa da inauguração, nasceu em 1977 e é um dos filhos do cineasta.

O Instituto Arte no Dique

O Arte no Dique atua há mais de duas décadas no Dique da Vila Gilda, área de palafitas na Zona Noroeste, com cultura, educação e formação profissional. O projeto começou com o grupo baiano Olodum e foi fundado e é presidido por José Virgílio Leal de Figueiredo, o Zé Virgílio, que é de Salvador.

“O Arte no Dique nasceu acreditando que a cultura poderia abrir caminhos onde muitas vezes as oportunidades não chegavam. Mais de 20 anos depois, continuamos com o mesmo propósito: mostrar para cada criança e cada jovem que o lugar onde eles nasceram não determina onde podem chegar”, diz Zé Virgílio.

O palco do instituto já recebeu Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Moraes Moreira, Toquinho e João Bosco, e o Arte no Dique já levou suas ações para a França e a Itália. Entre os projetos atuais estão o Som das Palafitas, temporada de shows na sede, e o Cine Maria-Mulata.

Para quem procura outras formações gratuitas na cidade, a Ecofábrica Criativa oferece cursos gratuitos de marcenaria e mosaico. E quem gosta de cinema pode conhecer a história do Cine Roxy, cinema de rua do Gonzaga desde 1934.

Serviço

  • Evento: inauguração da Escola Popular de Cinema Glauber Rocha
  • Data: quinta-feira, 8 de outubro de 2026
  • Horário: 19h
  • Local: Instituto Arte no Dique, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.349, Rádio Clube, Santos
  • Participação especial: Pedro Paulo Rocha, filho de Glauber Rocha
  • Curso: livre e gratuito, com dez meses de duração, para moradores das periferias da Baixada Santista
  • Informações: (13) 3209-9464 e @artenodiqueoficial no Instagram

Perguntas frequentes

Quando é a inauguração da Escola Popular de Cinema Glauber Rocha?

Na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, às 19h, na sede do Instituto Arte no Dique, no Dique da Vila Gilda, em Santos.

O curso de cinema é gratuito?

Sim. O curso é livre e gratuito e dura dez meses.

Quem pode fazer o curso?

Interessados em audiovisual que moram nas periferias da Baixada Santista.

O que se aprende na escola?

Teoria e História do Cinema, Roteiro, Direção, Direção de Fotografia, Produção, Som, Montagem, Direção de Arte e Comunicação. A cada ano, os alunos produzem dois filmes.

Onde fica o Instituto Arte no Dique?

Na Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.349, no Rádio Clube, Zona Noroeste de Santos.

Guilherme Carvalho

Fundador do Guia Amo Santos. Cobre a cidade desde 2015, do Instagram ao portal.

Sobre o Guia